Entrevista com Joe Stump


Entrevista com o guitarrista Joe Stump, um mestre virtuoso da guitarra neoclássica.


escrito por: Mike Philippov
Mike Philippov: Olá, aqui é Mike Philippov do site PracticeGuitarNow.com e GuitarraTecnica.com, estou entrevistando Joe Stump, realizando uma entrevista exclusiva sobre as melhores formas de praticar guitarra.

Eu estou no telefone com Joe Stump, que é um dos mestres da guitarra neoclássica mais respeitados e renomados de hoje. Joe foi classificado entre os 10 melhores guitarristas mais rápidos e precisos de todos os tempos pela revista Guitar One Magazine; ele também é um instrutor de guitarra no Berklee College of Music (USA), além de mantêr sua carreira de shows e gravações.

Então, com certeza Joe tem muita experiência para passar sobre como praticar guitarra da melhor maneira possível.

Mike Philippov: Joe, bem-vindo, é bom tê-lo aqui nesta entrevista, estamos ansiosos para ouvir suas respostas ás nossas perguntas.

Joe Stump: Beleza, estou feliz em poder ajudar.

LEVE Efeitos - Entrevista com Joe Stump
Joe Stump
Mike Philippov: A minha primeira pergunta é: Você acredita no fenômeno de talento natural, digo : um dom ? Se sim, o quanto você acha que o talento contribuiu para você se tornar o grande guitarrista que você é hoje ? Se não, qual você acha o atributo mais importante que é preciso têr para se tornar um grande guitarrista como você é hoje ?

Joe Stump: Muitos guitarristas diferentes têm diferentes níveis de talento natural. Tudo se resume a educação dos guitarristas e quem eles são como uma pessoa. Eu não fui abençoado com uma enorme quantidade de talento natural, cheguei onde estou com a maneira old school de trabalho duro. Então, ele (o talento natural) é verdade até certo ponto, mas não é verdade que sem ele você não pode tornar-se um bom guitarrista.

As habilidades técnicas que tornam alguém um grande músico, como têr um grande senso de tempo e rítmo ou um bom ouvido musical, pode naturalmente ser desenvolvida através da prática, mas certamente alguns guitarristas têm mais facilidades ou talento natural do que outros.

Mike Philippov: Como suas abordagens para praticar guitarra evoluíram ao longo dos anos ? Quando você começou a tocar guitarra, em que você se concentrou mais, e como o seu foco mudou de lá para cá ?

Joe Stump: Quando eu comecei a tocar guitarra, era um momento completamente diferente de agora. Naquela época, não havia pessoas para ajudá-lo, se você queria tocar rock ou hard rock não havia DVD´s instrucionais, internet ou guitarristas que eram instrutores ou professores de guitarra com alto nível técnico que tocavam nesse estilo, então você tinha que fazer tudo por conta própria e do seu jeito.

Basicamente, eu aprendi da maneira da velha escola quando eu era mais novo - por solos dos meus guitarristas favoritos, tentando tirar solos dos discos, e, em seguida quando eu estudava na Berklee School of Music - aprendi peças clássicas, como a música de Bach ou Paganini, etc ... Por isso, foi um momento completamente diferente.

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Agora, com todas as informações disponíveis, os guitarristas podem otimizar as sessões de prática de guitarra de modo que é quase como uma rotina diária de exercícios. Dependendo de quanto tempo sua rotina de treino de guitarra é, você pode trabalhar em sua palhetada, legato, improvisando habilidades, treinando arpejos e todas essas coisas diferentes.

Pessoalmente, a minha rotina de treino de guitarra é geralmente centrada em torno do que eu estou trabalhando naquele momento. Se eu estou trabalhando em um novo disco, as músicas se tornam minha sessão de prática  de guitarra. Se eu estou me preparando para uma turnê ou clínica, então eu pratico todo o material que tocarei nesses eventos ou em shows ao vivo. Na prática; e, até certo ponto, quando eu gravo um disco novo e a seguir eu saio para tocá-lo no próximo ano, é nisso que estarei focado praticando.

Isso significa que eu vou praticar aqueles solos de guitarra ao vivo, seja para realizá-los durante uma apresentação ao vivo ou como parte de uma turnê clínica.

Mas muitas vezes eu fico entre a prática de guitarra e pegar a guitarra e começar a tocar várias coisas direto. Eu meio que caminho entre estes dois mundos de prática, onde eu tenho que trabalhar em algumas coisas, mas eu não me sento e pratico direto.

Jamais me sento e toco por 1 hora o mesmo arpejo, eu pratico pelo amor e prazer de tocar. Eu normalmente acabo praticando coisas durante um longo período de tempo, mas no decorrer de uma sessão de treinos única, eu geralmente me concentro em apenas um pouco de tempo em cada item individualmente.

Mike Philippov: Como você decide que coisas você praticará em uma base diária ? Como isso mudou para você desde que você começou a tocar guitarra em comparação aos dias atuais ?

Joe Stump: Anos atrás, quando eu estava me desenvolvendo, eu trabalhei em todos os tipos de coisas. Ás vezes eu praticava um solo de um dos meus guitarristas favoritos por algum tempo, e às vêzes eu praticava em cima de uma peça de Bach,  então eu criei diferentes padrões de escala e padrões de arpejo em cima de cliques de metrônomo.

Ás vêzes eu ficava tocando em cima de uma Backing Track para melhorar o meu improviso. Mas não era tão organizado e simplificado como se tornou hoje, quando eu me desenvolvi mais e tudo ficou mais organizado, tanto quanto as coisas que eu estava praticando na guitarra, como diferentes técnicas de palhetada, arpejos e habilidades de improvisação.

Gostaria de têr praticado em idéias diferentes dos guitarristas que eu gostava e escutava. Às vezes eu posso trabalhar no meu vocabulário dentro de uma certa escala e outras vezes pode ser mais sobre o controle de bending e vibrato em certas áreas do instrumento.

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Mike Philippov: Mais uma vêz, voltando aos seus anos iniciais do aprendizado na guitarra. Quando você começou a tocar guitarra você alguma vêz teve períodos de tempo em que o progresso em sua guitarra foi lento (ou talvez seu progresso em sua guitarra parou completamente ?) Em caso afirmativo, quais foram essas experiências e o que você fêz para superar tais altos e baixos em seu aprendizado ?

Joe Stump: Naquela época alguns guitarristas se desenvolveram muito mais rápido do que era comum, e, em seguida tornaram-se frustrados, porque depois de desenvolverem-se rapidamente com um sucesso repentino atingindo o topo, uma barreira começou a aparecer e começaram a perguntar-se por que eles não conseguiam romper aquela barreira tão rápido quanto eles gostariam.

Quando eu era mais novo, eu só tocava guitarra e eu não pensava. Eu sempre tive a atitude de: "continuar praticando, continuar a tocar, manter e ficar melhor, eu adoro guitarra, guitarra é divertido". Então, eu não percebi que eu era uma espécie de ignorante e eu não estava constantemente analisando meu jeito de tocar guitarra.

Hoje em dia, os guitarristas mais jovens são muito mais maduros, o que é legal do ponto de vista técnico; mas às vezes eles são tão focados em técnica, que eles estão perdendo um pouco da vibe rock e do tipo de atitude que você quer trazer para a sua guitarra também.

Mike Philippov: Quais as coisas que você faz para manter suas sessões de prática de guitarra divertida e ao mesmo tempo sem se distrair com outras partes de tocar específicas que você estava tentando melhorar ? Em outras palavras, como é que você consegue se divertir enquanto aprende a tocar guitarra e ainda fazer progressos ?

Joe Stump: Eu faço isso através da mistura do trabalho em diferentes nichos de tocar guitarra. Quando se trata de solidificar algo em seu vocabulário, não há substituto para trabalhar nele de uma forma consistente por um período prolongado de tempo.

É ótimo treinar um exercício diáriamente e notar o progresso. Mas se você ficar muito preso a tocar uma determinada coisa na guitarra, você vai tornar-se obsoleto, e não será muito divertido. Um monte de guitarristas tecnicamente virtuosos têm uma tendência a praticar coisas com um metrônomo o tempo todo e colocar muita ênfase em "exercícios" isolados ao oposto em aprender a tocar guitarra em contextos musicais...

Mike Philippov: Você pode dar um exemplo de um problema específico de tocar guitarra que você teve e qual foi o processo que você usou para consertar este problema ?

Joe Stump: Eu acho que uma coisa que é muito frustrante e é algo que todos os guitarristas estão procurando em todos os níveis é "consistência". Comando e técnica são tudo sobre controle e consistência; significa executar coisas em vários tempos, sendo capaz de acomodar e tocar guitarra bem, e como controlar todo o instrumento, como o bending, vibrato e entonação.

Esta área de tocar guitarra continua melhorando para mim também. Mesmo eu tendo tocado guitarra por um tempo muito longo e tocado em um nível bastante elevado, eu não parei de estar consciente desta habilidade e trabalhar nela.

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Então, isso é algo que eu acho que não só eu pratiquei, mas continuo praticando. Quanto mais tempo você tocar guitarra e chegar a um nível mais alto, a sua consistência de execução torna-se muito mais importante.

Quer se trate de uma exposição técnica ou uma coisa refinada onde você controla certos sons em determinadas partes de sua guitarra, essas são as coisas que você tocará em um nível superior e você tocará por mais e mais tempo, pois você continuará a ficar melhor e melhor...

Mike Philippov: Quais foram alguns erros que você se lembra de cometer praticando guitarra que atrasaram o seu progresso musical ? Se você tivesse que voltar para começar a aprender a tocar guitarra de novo, quais seriam as coisas que você faria diferente, a fim de tornar-se o guitarrsita que você é hoje ?

Joe Stump: Essa é uma pergunta muito boa ! Quando eu era um estudante na Berklee School Of Music, eu estava tocando em bandas de hard rock, tocando hard rock da épcoca, bandas como Deep Purple, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, UFO e todos os grandes guitarristas dos anos 70.

Quando cheguei ao Berklee naquela época, Jazz era o único programa de guitarra. Eu era apenas um garoto na época e eu queria tocar bem, então eu pratiquei e toquei jazz. Embora não tenha sido ruim, como eu estava tocando Jazz e Fusion no final da minha estadia na Berklee, eu percebi que eu queria voltar a tocar somente Hard Rock e Metal.

Não foi um grande erro, era mais sobre a "direção" do que eu devia tocar. Foi uma das decisões mais inteligentes que eu já tomei. Eu acho que se eu tivesse ficado preso naquilo, mesmo assim eu saberia a direção, o que eu amava e o que eu realmente queria fazer, eu poderia têr chegado onde eu queria ir indo mais rápido.

Eu não estou dizendo que todos devem tocar em apenas um estilo, mas é bom têr direção. Se você é um guitarrista de Blues, então você vai ouvir o rei (BB King) e Lonnie Mack e outros músicos de Blues, ou se você quer ser um grande guitarrista de metal ou guitarrista clássico, é preciso uma certa quantidade de devoção incondicional.


Mike Philippov: Quais foram as maiores fontes de seu aprendizado na guitarra e educação musical quando você estava desenvolvendo suas habilidades em tocar ? Você já mencionou a Berklee, e eu tenho certeza que foi muito valioso para você, mas você também tem professores particulares de guitarra, ou que foram algumas de suas outras fontes e/ou educação musical ?

Joe Stump: Para dizer a verdade, eu fiz de tudo pela música que eu amo, minhas influências são guitarristas como Ritchie Blackmore, Yngwie Malmsteen, Al Di Meola, Gary Moore, Michael Schenker, Uli Jon Roth , Jimi Hendrix ou compositores como Bach, Paganini ou Vivaldi.

Assim, uma grande parte do meu vocabulário na guitarra e meu modo de tocar se desenvolveu da maneira old school de tentar aprender a música que eu gostava e fazer minhas próprias coisas com ela. Eu amava Blackmore, Schenker e Uli (Jon Roth) e gostava de aprender os seus solos de guitarra e seus arpejos.

Em seguida, Yngwie veio junto, e eu pensei: "Ei, ele gosta de toda a música que eu gosto, então eu aposto que eu vou gostar desse cara com o nome difícil de pronunciar. Eu já estava familiarizado com um monte de coisas em seu vocabulário, modo de palhetar, etc... a partir do estudo da música de Al Di Meola, bem como Uli e Bach.

Assim que evoluí a partir de lá, me lembro de ter o primeiro video de Michael Angelo (Batio) Star Licks, seu material também me ajudou muito. No entanto, como instrutor de guitarra - era só eu por mim e eu não tive nenhuma ajuda.

Mike Philippov: Quais foram as coisas mais importantes que você aprendeu ou deixou na Berkelee ? Como essa experiência lhe ajudou a desenvolver mais seu modo de tocar ?

Joe Stump: Com exceção da informação que eu recebi ou nada disso, eu estudei com um cara lá na Berklee que era um "Peso Pesado" tocando jazz. Ele era realmente desagradável com os alunos, e muitos de seus alunos saíam de suas aulas chorando.

Eu não era um deles; eu era um de seus melhores alunos naquela época, ele era muito intenso tocando e falando sobre guitarra, e cada vez que ele pegava a guitarra para tocar ele falava muito sério. Essa foi uma das coisas que eu tomei distância.

Eu mesmo sou o oposto, sou muito agradável para todos os meus alunos de guitarra. No entanto, ter essa intensidade cada vez que você pega a guitarra é uma coisa que eu quero distância.

Além disso, o fato de que você está vivendo, comendo, respirando e dormindo guitarra e música de forma contínua... Eu sempre fui um daqueles caras que ama guitarra. Hoje é o meu dia de folga e eu provavelmente vou tocar guitarra por pelo menos 4 horas, por isso estou sempre bem no que faço.

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Mike Philippov: O que você acha que são as coisas mais importantes que se deve fazer ou têr para obtêr o máximo de resultados possíveis quando se pratica guitarra ?

Joe Stump: Tentar estar numa linha entre uma abordagem "rock" e se divertir tocando guitarra como todo mundo gosta, mas tentando misturar isso com um pouco de disciplina para a prática. Muitos guitarristas apenas tocam, e embora seja legal, há uma diferença grande em apenas tocar e "praticar guitarra", por isso uma mistura de ambos é muito saudável.

Além disso, é importante tentar manter sua atenção focada quando você pratica guitarra, porque a mente de todo mundo pode começar a distrair-se um pouco depois de praticar guitarra por horas. Outra coisa é ter certeza de que você está tocando as coisas corretamente.

Não pratique algo por um período de tempo só para ouvir de volta e perceber que algo que você pensou que estava soando bem, na realidade não soa tão bem. Gravar-se é bom para todos os guitarristas, porque você sempre pode afastar-se do que você tocou, e dizer: "Oh, isso não está acontecendo comigo."

Auto crítica é útil, mas não ao ponto onde ela está prejudicando sua prática na guitarra. Eu ouço todos os tipos de perguntas de caras que são obcecados com tudo, como: "o quanto da palheta da guitarra deve ficar exposta entre os meus dedos e a corda" ou: "quanto eu tenho que apertar a palheta ?".

Por isso, algumas caras são realmente obcecados com isso, mas o fato é que: se eles simplesmente tocassem mais guitarra, mais eles iriam encontrar as respostas a essas coisas por conta própria.

Porque você pode têr um cara que é completamente obcecado, que está olhando para si mesmo no espelho e constantemente criticando a si mesmo, e um outro cara que está trancado com um metrônomo e não está querendo saber se ele está segurando a guitarra corretamente ou seja o que for... - ele está simplesmente indo na direção dele.

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Então, obviamente, em algum ponto no meio disto tudo deve haver um equilíbrio....

Mike Philippov: Como você aborda "praticar" e os elementos de criatividade musical em sua guitarra ? Quais são algumas das coisas que você conscientemente faz para se tornar mais criativo na guitarra ?

Joe Stump: Eu escuto coisas diferentes para obtêr inspiração, como registros clássicos ou qualquer um dos meus heróis de guitarra. Também ouço às vezes várias bandas de metal, porque eu toco em uma banda de power metal chamada HolyHell, então eu anoto coisas para que eu tenha meus próprios registros.

Um monte de vezes eu vou para o meu quarto  quando eu tenho folga e começo a tocar guitarra e as coisas começam a fluír. Então, eu tenho muita sorte nos dias que eu não pratico e "fico criativo". Se eu estou inspirado e eu começo a tocar alguma coisa e algo vem até mim, então eu paro o que estou fazendo ou praticando e dedico algum tempo a nova ideia e documento a idéia.

Pode ser algo que você aproveite mais tarde. Às vezes é uma melodia, ou um riff, ou às vezes eu posso colocar uma música inteira juntos. Muitas vezes eu estou praticando uma seção neoclássica de alguma coisa e eu não tenho nenhuma idéia de onde ela está me levando, e a próxima coisa que acontece é que ela se torna um ponto de arpejo no meio de uma faixa em um disco, ou um pedaço de solo apenas.



Mike Philippov: Ok, isso é tudo por hoje Joe. Obrigado por conceder esta entrevista. Você compartilhou um monte de conhecimento sobre a prática de guitarra e eu tenho certeza que todo mundo que lêr (ou ouvir somente em inglês) esta entrevista terá um monte de grandes idéias para levar pra casa e aplicar as suas sessões de prática de guitarra e se tornarem melhores guitarristas. Então, obrigado novamente e tudo de bom pra você em seus projetos futuros de sua carreira musical.

Mike Philippov: É um instrutor, compositor e guitarrista que podemos chamar de clínico da guitarra. Sua especialidade é ajudar guitarristas a praticar corretamente para obtêr o máximo de resultados possíveis. Artigo original: http://practiceguitarnow.com/guitarpracticeinterviewwithjoestump.html

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